A CLINICA COM CRIANÇAS

Publicado em: 14/02/2026

A CLÍNICA COM CRIANÇAS

 

A principal necessidade de uma criança é se sentir segura e amparada pelos pais (ou figuras substitutivas). Sua principal tarefa é o brincar, que é algo inseparável da criança, propicia interação com adultos e com outras crianças, traz sensações de prazer, desenvolve a criatividade e autonomia.

A falha nesse sentimento de segurança e amparo, seja por motivo real ou fantasioso, pode desencadear distúrbios psicológicos e afetar a saúde mental das crianças. É essa condição que levará a maioria das crianças aos consultórios dos psicólogos.

Diante disso, é preciso compreender os sinais e sintomas das crianças como um mecanismo que ela utiliza para demonstrar sua subjetividade e até mesmo seu sofrimento e que não necessariamente deverá ser diagnosticado como doença. Geralmente é pelo corpo e pelo comportamento que a criança expressa suas emoções.

O adoecimento psíquico pode ser uma maneira que a criança encontra para ser escutada em sua subjetividade e, com isso, ela nutre a esperança de ser cuidada.

Quando a criança tem a oportunidade de viver plenamente a sua infância, ela guarda em si sentimentos de confiança sobre o seu futuro (amizade, palavra, respeito, caráter, bondade, alegria e amor), com isso, ela poderá tornar-se um adulto mais seguro, com mecanismos de enfrentamentos mais saudáveis. Lembre-se: o adulto que nos tornamos traz consigo a criança que fomos.

No início da psicoterapia, a psicóloga realiza entrevista preliminar com os pais com a finalidade de conhecer qual é a queixa emocional deles com relação ao filho, sem perder de vista a particularidade da subjetividade da criança. 

A função da psicóloga é oferecer um espaço de escuta aos pais, com o objetivo de conhecer como a criança é percebida por eles e extrair informações do histórico gestacional, assim como do desenvolvimento físico e motor da criança. Esses dados são úteis para compor a história de vida da criança. Feito isso, as entrevistas serão realizadas com a criança para dar voz a ela, em um espaço de escuta para que ela fale por si mesma. A psicóloga pode utilizar brinquedos, desenhos e jogos como ferramentas durante as sessões e, todo esse processo é chamado de avaliação psicológica. É por esse processo que se justificará ou não o acompanhamento psicológico de uma criança.

 

ALGUMAS CURIOSIDADES SOBRE A HISTÓRIA DA INFÂNCIA

 

O processo de compreensão da infância se deu na Europa, particularmente na França. No Brasil, as representações de infância no momento Colonial, Imperial e Republicano estavam longe de serem compreendidas com sua devida importância, respeito e dignidade, principalmente pelas crianças de família pobre.

No Brasil Colonial, segundo historiadores, a infância foi documentada como violenta e bastante rude. Sendo comum abusos sexuais, trabalhos forçados e riscos constantes de morte devido as embarcações. As crianças indígenas eram catequisadas pelos jesuítas na perspectiva de quando adultas apresentarem menos resistências aos novos valores socioculturais portugueses.

No período Imperial, as crianças das famílias da elite, pela adoção dos costumes europeus, tinham acesso à educação e a valores adaptados da Europa, além de momentos de lazer. Já as crianças filhas de escravos eram desprovidas de qualquer direito desde o nascimento.

No Brasil Republicano, o evento histórico central da primeira república foi a abolição da escravatura e a urbanização. Esses fenômenos contribuíram para que as crianças pobres, filhas de ex-escravos fossem deixadas a própria sorte. A busca de seus pais por subempregos e moradias precárias refletiam diretamente a ausência de cuidados, negligencias e nenhum acesso à educação. Enquanto filhos da elite tinham a melhor educação garantida.

Constata-se nesse momento, um problema social devido a desigualdade. Somado a isso, surgem as primeiras pressões para que o Estado tenha ações que garantissem às crianças pobres amparo e bem-estar. 

Entre os projetos destaca-se o de 1927, o Código de Menores com a finalidade de oferecer assistência as crianças desvalidas. Em 1990, a Lei n°. 8.096 dispõe sobre a proteção integral à criança e ao adolescente (ECA) com o propósito de garantir direitos e cuidados.

É bom lembrar que a sociedade do futuro está sempre sendo formada no agora, seja nas infâncias que estamos cuidando ou negligenciando. Que mundo queremos? Cuidemos das nossas crianças.

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